LINHARES DA BEIRA

EVOLUÇÃO ECONÓMICA

A agrcultura e a pastorícia desempenharam, desde épocas remotas, um grande significado na economia de Linhares.Agricultor por necessidade e pastor por vocação, o linharense conjugava estas duas actividades em que intervinha todo o agregado familiar. A mulher, além do serviço de casa, juntava o fiar do linho e da lã, à confecção do vestuário para a família e o trabalho nos campos. O homem era o agricultor e pastor.O comércio era praticamente inexistente até ao sé. XIII.

A terra era fértil e havia água em abundância, mas os processos técnicos de cultivo eram rudimentares e, por isso, a produção era fraca. Entre as produções principais contavam-se a vinha ( já cultivada no reinado de D. Afonso Henriques), árvores de fruto ( castanheiros, figueiras, nogueiras, pereiras, aveleiras , cerejeiras e oliveiras ), legumes e cereais ( centeio, trigo, cevada e aveia ) . A alimentação era simples e frugal. O pão teve sempre um papel importante na alimentação assim como o leite e o queijo. A carne era um alimento de luxo e apenas se comia em tempo de festa e aos domingos. A castanha era um dos principais alimentos substituíndo, por vezes, o pão ( predominantemente de centeio) . A castanha desmpenhava o papel da batata nos nossos dias. Esta apenas apareceu em Portugal na época dos descobrimentos. Com a sua introdução a castanha perdeu a sua predominância e os hábitos alimentares mudaram. Com a introdução do milho ( época dos descobrimentos ) a cultura do centeio decaiu; no séc. XVIII, o milho era o cereal de maior produção. Contudo o pão de centeio era o mais consumido, até meados do séc. passado em que passou a ter como companheiro o pão de trigo e de mistura. Actualmente o pão consumido é o de trigo, que já não é confeccionado em Linhares. Até meados do séc. passado o pão era confeccionado na freguesia. O centeio o trigo e o milho eram moídos aqui ( ainda hoje existem três moínhos na freguesia movidos pela água da levada ), a farinha era peneirada , amassada e tendida nas casas de cada um e, finalmente, ia a cozer nos fornos comunitários ( havia dois mas deixaram de funcionar ). Até à década de 60 do séc. passado a terra era arada e semeada com a ajuda dos bois. Oa produtos recolhidos eram tranportados nos carros de bois ou por burros e cavalos. Depois todos foram substitídos pelo tractor, facilitando, assim , o trabalho agrícola.

A pastorícia é uma actividade que vem desde épocas remotas, muito anterior à fundação de Portugal. As condições morfológicas e climatéricas favoreciam as pastagens. O principal gado eram as ovelhas mas também havia cabras e bois.A indústria da lã aparece como actividade económica intensa desde os fins do séc. XVII. A pastorícia manteve-se até aos nossos dias mas não com a florescência que teve até ao início das grandes emigrações. Segundo Alberto Trindade Martinho em O PASTOREIO E O QUEIJO DA SERRA - 1981, havia, em Linhares, no ano de 1940 , 1738 ovelhas e 304 cabras decrescendo esse nº para 1088 e 254, respectivamente, no ano de 1955. Actualmente ainda existem alguns rebanhos que fornecem o leite para o fabrico do famoso "Queijo da Serra".

Até D. Afonso II, o comércio no concelho de Linhares era incipiente. Eram trocados ou vendidos apenas os suplementos dos produtos não consumidos. Com o dinheiro recolhido adquiria-se aquilo de que se necessitava e não se fabricava.Esta concepção comercial foi evoluindo com o tempo mas muito lentamente. O desenvolvimento do comércio é o reflexo da diminuição do sistema de corveias ( trabalho gratuito que os servos prestavam ao senhor feudal durante certo número de dias ) , que tanto afectava a produtividade como as condições sócio-económicas da classe servil a elas sujeitas, e sobretudo da passagem da renda em géneros para a renda monetária ou mista ( géneros e dinheiro ). Este tipo de renda levou o produtor a recorrer aos mercados e às feiras. Daí o desenvolvimento das relações mercantis com aumento cada vez maior da circulação monetária. O surto das feiras no séc. XIII contribui extraordinariamente para o desenvolvimento do tráfego mercantil. Chegou a existir um mercado em Linhares que terminou com a extinção do concelho . Depois, o linharense, recorreu a outras feiras (Carrapichana, Celorico da Beira, Fornos e Gouveia ) para vender os seus produtos ( queijo, lã em bruto das ovelhas , batata, centeio e milho ) vender ou comprar animais (ovelhas, cabras, porcos, bois, burros e cavalos) e comprar produtos de que necessitava mas não produzia ( mercearia, pano para fatos, calçado, artefactos agrícolas, etc.) . Muitos destes produtos passaram a ser comprados na freguesia com a abertura de mercearias ( em meados do séc. passado havia 3 mercearias em Linhares ). O desenvolvimento dos meios de transporte facilitou as transações comerciais, a necessidade de deslocação às feiras diminuiu e actualmente apenas algum queijo é vendido fora de Linhares.

Hoje em dia a agricultura e a pastorícia perderam a importância que tiveram até aos anos 60 do séc. passado. É uma agricultura de subsistência , talvez de entretenimento, praticada pelos mais velhos e que tende a acabar quando eles já não conseguirem trabalhar. Os pastores e ovelhas são poucos e já pouco queijo se fabrica. Tudo ou quase tudo vem de fora e o comércio floresceu. Os emigrantes estão de volta ( definitivamente ou de visita à sua terra natal ) com bom poder de compra. As antigas mercearias foram substituídas por minimercados ; abriram-se cafés, restaurantes, talho, cabeleireiro, pousada, cervejaria, casas de artesanato e uma escola de parapente. O turismo está em franco desenvolvimento. Existe um posto de turismo e casas de turismo rural.

BIBLIOGRAFIA:
 
MOREIRA, Maria da Conceição - Linhares-Aspectos Históricos, Colecção Parques Naturais,Lisboa, 1980

MARTINHO,Alberto Trindade - O Pastoreio e o Queijo da Serra, Colecção Parques Naturais,Lisboa, 1981

ABRANTES,Leonel - Monografia de Linhares, Publicações Estrela, Folgosinho, 1998

 

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